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Coragem para buscar novos caminhos, atitude perseverante e gestores preocupados com o uso criativo das tecnologias na educação são a marca do projeto TICs: Acesso e Qualidade.
Sempre que a diretora Maria de Fátima Martinez Ayala entrava na sala de Informática de sua escola, sentia uma certa insatisfação. Apesar de ampla e com boas condições de atender os alunos, o número de máquinas – cinco – era muito reduzido. Por isso, o laboratório era sub-aproveitado, algo que frustrava alunos, professores e a comunidade de entorno.
“Tornou-se evidente para nós que precisávamos democratizar o acesso à tecnologia para todos”, conta a educadora da Escola Estadual de Nova Luzitânia, localizada no município de mesmo nome, no interior de São Paulo. “Só não tínhamos encontrado ainda a solução”. O jeito era pedir aos alunos que se revezassem nas máquinas e nos horários.
A situação começou a tomar novos rumos após a participação da equipe gestora, formada por Maria de Fátima, a vice-diretora Vanete Franco e a coordenadora pedagógica Vandenir Vicente Belatti no Programa Microsoft Gestão Escolar e Tecnologias.
A troca de experiências entre os participantes e os novos conhecimentos fizeram com que tivessem uma idéia: por quê não buscar uma parceria consistente com o poder público?
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“Organizamos uma proposta e levamos à prefeitura”, lembra Maria de Fátima. A proposta consistia em pedir que fossem instalados mais PCs na sala. Em contrapartida, a escola passaria a atender os alunos da escola municipal vizinha, dividindo os custos de manutenção.
Proposta aceita, 25 novas máquinas foram entregues, além de mesas e cadeiras. Com a sala pronta para ser usada, os alunos e professores não perderam tempo: durante a semana, 500 estudantes e pessoas da comunidade passam pelo laboratório. Já nos fins-de-semana, 150 pessoas utilizam os recursos tecnológicos da sala, que também conta com um televisor de 29 polegadas. Alunos monitores e professores de Informática são os responsáveis pelo gerenciamento do laboratório.
Dessa forma, todos saíram ganhando. “Hoje os alunos e pais se sentem orgulhosos de nosso estabelecimento. Eles sabem que se trata se uma parceria produtiva e consistente que traz benefícios e conhecimento para todos”, conclui Maria de Fátima.
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“Mãe, você tem que acreditar”
A oportunidade participar do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores – Brasil veio justamente no primeiro dia de férias de Maria de Fátima.
“Estava em casa, descansando, quando tive a idéia de inscrever nosso projeto. Meu filho de 6 anos me viu digitando no computador e me perguntou por quê eu não estava aproveitando minha folga”, conta.
Ela respondeu que estava se inscrevendo para um concurso, e que, se ganhasse, iria representar o Brasil nos Estados Unidos. “Mas é difícil, filho, muitas pessoas estão participando”. O garoto não se fez de rogado. Colocou as mãozinhas no rosto da mãe e disse: “Mas mãe, você tem que acreditar!”
Deu certo. De malas prontas para os Estados Unidos, ela deu esta entrevista para o site:
Quais são as características que um educador inovador deve ter, em sua opinião?
Penso que um educador precisa estar atento às necessidades educacionais exigidas pela sociedade atual, saber trabalhar em equipe, refletir sempre sobre sua prática, facilitar o uso de todos os recursos disponíveis na escola e finalmente, acreditar que é possível, também através da educação, melhorar a vida das pessoas.
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Como você analisaria seu trabalho de integração de tecnologias na escola antes e depois da participação de sua equipe no Programa Gestão Escolar e Tecnologias?
Antes, fazia uso de tecnologias na escola apenas como “mais um recurso”. O Programa possibilitou reflexões acerca do papel do educador atualmente e estas reflexões desencadearam ações na escola, que consideram o uso das tecnologias de informação muitíssimo importantes para a democratização do conhecimento, o que sem dúvida, no mundo em que vivemos, é um instrumento de poder.
Como foi a reação dos alunos e professores de sua escola quando souberam que os gestores eram finalistas de um prêmio de Educação?
Ficaram muito felizes, pois entenderam que o resultado do trabalho e envolvimento de todos que participam do dia-a-dia de nossa escola.
Não se conquista um prêmio assim, sozinho, é preciso que todos acreditem na sua idéia e passem a colocá-la em prática junto com você (alunos, professores, funcionários, poder público), ou seja, é necessário um forte trabalho coletivo .
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Quais são os maiores problemas encontrados pelo educador brasileiro no que se refere ao uso adequado das TICs?
Inicialmente, acredito que as dificuldades originam-se da rapidez com que as inovações tecnológicas se dão, dificultando que o educador brasileiro, no contexto social e econômico do qual faz parte, tenha acesso e autonomia para acompanhar todas estas mudanças.
Uma outra dificuldade penso que seja, uma mudança de paradigma: na medida em que nossos alunos lidam diariamente com uma grande quantidade de informações visuais e imagéticas, é essencial que o educador assuma o papel de mediador na ressignificação destas informações, para que o aluno aprenda a aprender, compreender e construir conhecimentos.
O que significa em sua trajetória profissional participar de um evento internacional de Educação, representando seu país?
Para mim significa a recompensa de anos de estudo, trabalho e dedicação à educação e certamente é a representação de tudo que aprendi com minha família e com as pessoas com quem trabalhei ao longo deste tempo, que dividem comigo o orgulho e a alegria desta conquista.
Quais são os planos daqui para frente?
Inicialmente, acredito que as dificuldades originam-se da rapidez com que as inovações tecnológicas se dão, dificultando que o educador brasileiro, no contexto social e econômico do qual faz parte, tenha acesso e autonomia para acompanhar todas estas mudanças.
Quais são os maiores problemas encontrados pelo educador brasileiro no que se refere ao uso adequado das TICs?
Continuar trabalhando para melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos da escola em que atuo e continuar estudando, para quem sabe poder contribuir com a educação de outros.
Reportagem: Vivian Ragazzi
Fotos: Paulo Pepe e arquivo pessoal
| • | Melhor utilização dos recursos tecnológicos integrados aos conteúdos disciplinares; |
| • | Atendimento para 500 alunos durante a semana e 150 pessoas nos fins-de-semana e em cursos noturnos, proporcionando novos conhecimentos e preparação para o mercado de trabalho |
Contexto
A Fundação Bradesco atende alunos de baixa renda, com unidades em todo o país. O uso da tecnologia é bastante estimulado nas escolas, já que a grande maioria não possui computador em casa.