Goiás: a receita que deu certo

Publicado em: 10 de Dezembro de 2004 | Atualizado em: 10 de Dezembro de 2004
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O assunto é tecnologia e educação, mas também é sobre juntar a fome com a vontade de comer. Como assim?

Durante a realização do módulo básico do Programa Aluno Monitor em Goiás, entre junho e novembro de 2004, mais de 800 alunos e professores mostraram seu apetite por conhecimento das novas tecnologias.

"O que lhes faltava era a oportunidade", afirma Demerval Bruzzi, gerente de Programas Acadêmicos da Microsoft, que coordena o projeto em Goiás.

Oportunidade que surgiu a partir da parceria firmada em maio de 2004 entre a Microsoft e a Secretaria de Estado da Educação para a implementação do Programa Aluno Monitor.

"A parceria foi o ponto fundamental", constata Bruzzi. "Mostramos que é possível fazer mais com menos."

Ao todo, 143 escolas públicas de Goiás - com alunos entre a 5ª série do Ensino Fundamental e a 2ª série do Ensino Médio - participaram do Programa Aluno Monitor.

Em dezembro de 2004, os formandos receberam a certificação de conclusão do módulo básico. O diploma, no entanto, não é o fim, mas o início de uma jornada.

Multiplicação do conhecimento

Antes de se tornar aluno monitor da escola estadual Alcides Juber, na cidade de Goiás, Raí Alves Ribeiro, de 16 anos, nem chegava perto do computador.

Para ele, a informática era um território indecifrável. Aos poucos, Raí foi se deixando conquistar pelos computadores e agora não tem mais "medo" das máquinas.

O aluno acaba de finalizar a fase 2 do curso básico e já é capaz de utilizar diversos softwares, entre eles Word, Excel e PowerPoint, para suas atividades escolares.

"Tem sido uma experiência fantástica", conta Raí. "Procuro mostrar para meus colegas que a informática não é tão complicada e que qualquer pessoa consegue aprender."

Assim como os demais alunos monitores, Raí ganhou uma nova missão: repassar os conhecimentos adquiridos no curso a outros estudantes e professores, além de auxiliar no gerenciamento do laboratório de informática de sua escola.

"Hoje os alunos que estão se formando são capazes de cuidar de seus laboratórios e auxiliar seus colegas e professores na utilização do computador", explica Adriana Manetti, uma das gerentes em São Paulo, do Programa Educacional da Microsoft.

Com a multiplicação do conhecimento realizada pelos alunos monitores, a expectativa é que até meados de 2005 cerca de 5 mil estudantes sejam beneficiados.

Tecnologia com auto-estima

A "fome" dos alunos por dominar as novas tecnologias teve outros desdobramentos positivos durante o Programa Aluno Monitor.

"Professores e estudantes passaram a ter um contato muito mais próximo e seguro com a tecnologia, tirando não apenas benefícios para si, mas inserindo outras pessoas nessa realidade", observa Adriana.

A professora do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), da cidade de Goiás, Cecília Helena de Souza Brito, destaca a importância do programa Aluno Monitor entre os professores.

"Organizamos oficinas em que os alunos monitores auxiliam os professores, dando sugestões para que eles utilizem melhor os recursos do computador em sala de aula". Com isso, a resistência ao uso de computadores tem diminuído.

Para Bruzzi, até mesmo a valorização pessoal pôde ser desenvolvida. "O aluno se esforça para continuar no programa e automaticamente acaba se esforçando no dia-a-dia em suas aulas. Acreditamos que o projeto tem resgatado a idéia do protagonismo juvenil nas escolas."

Se assim for, os alunos monitores de Goiás têm tudo para pôr em prática a receita que vai garantir frutos para formar uma geração tecnologicamente qualificada, ou seja, vão continuar juntando a "fome com a vontade de comer" de muitos alunos que vem por aí.


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